Fui convidada pela
minha melhor amiga para visitar a prima dela que mora em Brasília/DF. Tinha
ficado animada de conhecer a capital federal, mas pensei que seria apenas um
feriado tranquilo vendo prédios que já conhecia pela TV. Até que me adicionaram
no grupo do whatsapp “Chapada” e sim, nós iriamos para a Chapada dos Veadeiros!
No começo fiquei apreensiva, não sei nadar, fiz trilha só umas duas vezes na
vida e não tinha sido minha melhor experiência. Não tinha ideia de como uma
viagem poderia mexer tanto comigo. Conhecer a Chapada dos Veadeiros foi uma
experiência que realmente despertou algo dentro de mim.
Pegamos o avião em Congonhas na quarta-feira, dia 20, pré-feriado. Chegamos em Brasília a noite,
não deu muito para ver a cidade. Comemos um lanche, conhecemos outras duas
pessoas que viajariam conosco e fomos dormir na casa da prima da minha amiga.
Lá começa o primeiro desafio, encher o colchão de ar com bomba manual! Haha
Pode parecer uma tarefa simples, mas cansa o braço. Melhor opção: usar o secador
de cabelo no frio e finalizar com a bomba. Foi rapidinho. Dormi feito uma
pedra.
Na manhã seguinte,
acordamos cedo, tomamos café e partimos para nosso destino. A Chapada dos
Veadeiros abrange sete municípios, mas optamos por ficar em Alto Paraíso de
Goiás à 230 km de Brasília (2h30). Pegamos a GO-118, uma estrada
surpreendentemente boa. Entre alguns cochilos no banco de trás, fui me
encantando com a paisagem. Passamos por povoados bem pobres, algumas
pousadas de beira de estrada e a vista dominada pelo cerrado.
Onde nos
hospedamos:
Pousada das Guias
em Alto Paraíso de Goiás: Quarto bonitinho, bem arrumado e simples. Tudo aquilo
que precisávamos! Não tinha ar condicionado, mas a noite fazia um frio que nem
havia necessidade. Frigobar foi a boa, para manter alguns lanches e sucos. Como fechamos diretamente com a pousada e com
quase dois meses de antecedência o valor saiu muito em conta. Café da manhã com
variedade de frutas, pães e sucos. As redes que rodeavam os quartos são um
ponto a mais, dali apreciava a lua cheia todas as noites.
Ficamos 4 dias e por
isso fomos em vários lugares, mas os dois melhores pelo sabor e valor foram:
- Restaurante Tapindaré: comida por
quilo na hora do almoço, muita variedade, tudo fresquinho e com opções vegetarianas.
- Vinte2: comi no jantar filé de tilápia temperado com
ervas, purê de batata doce e legumes. Que delícia! Melhor refeição da viagem.
Passeios realizados:
Há um leque muito grande de
opções. Fizemos o mínimo do mínimo devido o tempo, mas minhas impressões foram:
- Cachoeira Loquinhas: próxima do centro de Alto
Paraíso de Goiás, a Fazenda Loquinhas disponibiliza duas trilhas, Loquinhas (sete
poços para banho) e Violeta (seis poços também). Fizemos ambas, pois quisemos aproveitar
ao máximo. A pouca quantidade de água nos decepcionou, mas o ânimo voltou ao
encontrarmos alguns saguis no decorrer da trilha. Água gelada, foi o
necessário para reenergizar.
Entrada R$20,00.
- Cachoeira Poço Encantado: localizada dentro da
Fazenda Rio de Pedra, a 52km de Alto do Paraíso de Goiás. Possui 38 metros de
altura, seu poço 50 metros de diâmetro e praia de areias brancas. Cachoeira
deliciosa para aproveitar com a família, mas deve-se tomar cuidado pois algumas
áreas possuem 8 metros de profundidade. Quase me afoguei nessa cachoeira.
Entrada R$20,00
- Cachoeira dos Cristais: a 8km de Alto Paraíso de
Goiás. Foi a primeira trilha que achei difícil na viagem, no retorno tive que
dar uma parada para respirar. Entretanto é compensador chegar ao final da trilha
e deparar-se com a cachoeira Véu de Noiva. Possui um restaurante em sua propriedade
e uma área de relaxamento em que você se imagina em uma comunidade hippie.
Entrada R$20,00.
- Vila Kalunga Engenho II: quilombo localizado a 22km
de Cavalcante/GO, possui duas cachoeira, da Capivara e Santa Bárbara –
considerada a mais bonita da Chapada. Para realizar esse passeio, devido à
distância e a procura, acordamos 5h e às 6h já estávamos na estrada. É
obrigatório a presença de um guia, que conseguimos no Centro de Apoio ao
Turista da cidade (R$80,00 por grupo). Como na segunda cachoeira o sol incidia
apenas próximo do meio dia, optamos por visitar a Cachoeira da Capivara
primeiro.
Fomos os primeiros a fazer a trilha, inclusive
contamos com a presença de uma cobra coral que por ali passava. Achei a
cachoeira mais bonita de toda a viagem! Considerei a trilha mais difícil
(lembrando minha inexperiência), mas sem dúvida o visual é recompensador e ali
teria passado o dia todo.
Voltamos para a trilha e pegamos novamente a estrada dentro do quilombo para o caminho que levava para a Cachoeira de Santa Bárbara. Como o trajeto é cortado por riachos e carros comuns não conseguem passar, pegamos o transporte disponibilizado pela comunidade (R$10 ida e volta por pessoa). Seguimos por uma trilha plana em meio as colinas, a paisagem sem dúvida foi um espetáculo à parte. A água azul da cachoeira enche os olhos, mas a grande procura acaba estragando o visual. Voltaria fora de temporada ou feriado.
Voltamos para a trilha e pegamos novamente a estrada dentro do quilombo para o caminho que levava para a Cachoeira de Santa Bárbara. Como o trajeto é cortado por riachos e carros comuns não conseguem passar, pegamos o transporte disponibilizado pela comunidade (R$10 ida e volta por pessoa). Seguimos por uma trilha plana em meio as colinas, a paisagem sem dúvida foi um espetáculo à parte. A água azul da cachoeira enche os olhos, mas a grande procura acaba estragando o visual. Voltaria fora de temporada ou feriado.
Entrada: R$25,00
- Vale da Lua: a 9 km de São Jorge/GO, o Rio São
Miguel percorre as enormes pedras de granito que foram esculpidas pela água por
mais de 600 milhões de anos. Infelizmente como fecha 17h30, pouco pude
aproveitar do Vale. Os funcionários do mesmo colocam os visitantes para correr!
Mas consegui ficar alguns instantes deitada nas pedras pensando na vida e vi
uns sapinhos muito bonitinhos (imagino que venenosos então a distância foi
necessária rs).
Entrada: R$20,00
Trilha ida e volta: 2 km
Bônus: saindo de São Jorge e retornando para Alto
Paraíso vimos muitos carros estacionados na estrada para observar o pôr-do-sol!
É incrível, vale a pena.
Estar de carro
facilita muito o acesso aos passeios, não recomendo depender de carona. Você
faz seu horário, trajeto e a gasolina dividindo em uma galera não fica cara
(gastamos 72,50 em 4 pessoas - a motorista não pagou. E não tem pedágio ufa!). Pode parecer cansativo pegar muitas vezes a estrada,
mas o cerrado nos traz surpresas como emas e seus filhotes e tucanos passando
em bando pelo seu carro.
Além da natureza
deslumbrante, dizem que Alto do Paraíso é o lugar do planeta que sobreviverá às
transformações do terceiro milênio. Contam sobre portais para a 5ª dimensão,
campo de pouso de naves alienígenas etc. Pode ser até papo furado, mas que
existe algo de diferente nesse local isso existe! Estava bem cética, mas como
disse no começo essa viagem despertou algo em mim. Não é à toa, com cristais
brotando do chão algo de bom tinha que acontecer.
O contato com a
natureza e alguns animais (animais de verdade, não aqueles que estou acostumada
no dia-a-dia de São Paulo), conhecer pessoas do bem, comer uma comida gostosa,
pegar a estrada ouvindo boa música, realizar trilhas superando meus limites, tomar banho de cachoeira todos os dias, ver o nascer e o
pôr-do-sol... isso me fez repensar toda minha vida e minhas escolhas, aquilo
que realmente é importante pra mim. Não senti falta da minha vida na selva de
pedras, não queria voltar para essa minha vida. No nosso retorno para Brasília,
por trás do óculos escuro rolaram algumas lágrimas. Tinha me apaixonado pela Chapada!
Essa foi uma das experiências
mais gratificantes de toda minha vida!









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